quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O Abrigo Não é da Belezinha


Enquanto setores da oposição denunciam a retirada do concessionário do Abrigo Central como perseguição política e partidários do governo comemoram o fato como vitória total, grande feito e indicativo absoluto do poder de Belezinha de colocar ali quem quiser (já apontado – inclusive, ao arrepio da lei – o irmão da prefeita, conhecido por Galo e ex-proprietário de Bar, como novo ocupante do espaço público, já pra antes do carnaval), discordando de ambas as interpretações e como testemunha da mudança de “donos do Abrigo” ao longo do tempo, me atrevo a debater o assunto.

A história de Chapadinha registra que até o nome da Praça de Coronel Luís Vieira mudava para Pedro II de acordo com o grupo político no poder municipal. Assim também sempre foi com o Abrigo. O próprio Inaldo Caldas admite, em nota de agradecimento, que ali ficou por indicação da Associação "Cangaia" e pela caneta de Magno Bacelar. Antes de Magno, Isaías, Osvaldo Lobo, Zé Almeida, Irineu Galvão... que agraciavam correligionários com a exploração daquele ponto.

Belezinha fez agora apenas o que todos fizeram no passado. Mas não deveria ser assim. A lei estabelece regras para a ocupação e exploração econômica de logradouros públicos que costuma ser obedecida – quando tanto – apenas nos aspectos formais.

Deveria haver concorrência democrática, honesta, real e que impusesse vantagens à prefeitura e à população usuária dos espaços públicos. Além de recolher taxar, que o concessionário assumisse obrigações pontuais e estipuladas em contrato, como: manutenção de banheiros, limpeza e ajardinamento da área, promoção de atividades culturais, compromisso de zelar pelo sossego público e respeito às celebrações e cultos nas imediações.


Neste momento em que o senhor Manoel Barbeiro – por meio do filme do Dewis Caldas – nos conta que o Abrigo Central é até mais antigo que a própria Praça, penso ser a ocasião de reforçar a preservação das feições arquitetônicas históricas. Já o processo de escolha dos ocupantes como dádiva a parentes ou correligionários, urgentemente superado, radicalmente modificado. Porque assim manda a lei e porque o Abrigo não é da Belezinha e nem meu, é de todos nós.

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