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terça-feira, 9 de junho de 2015

A Blasfêmia Inventada e o Ovo da Serpente


Quando eu questionava o mito do brasileiro cordial, meus pares de classe média faltavam me engolir. Hoje eles estão por ai com o peito inflado de arrogância e vasto repertório de "verdades" negativas sobre negros, homossexuais, sem-terras, pobres, minorias e divergentes em geral.

O Brasil conservador saiu do armário nos últimos anos. Não vejo o menor problema nisso, quero mais é que eles defendam seus pensamentos, criem seus partidos e lancem seus candidatos.

Recuso-me a crer que a juventude tenha perdido suas utopias ou abdicado do delírio da justiça, igualdade, liberdade... Por tudo isso mesmo é muito bom saber contra quem os humanistas lutam.

Minha geração, que era muito nova para perecer na ditadura, agora já tem idade para não viver calada nem morrer de medo de consensos artificias. Contrapor arroubos de intolerância engatilhados por qualquer velhaco convertido em dono de Deus é a tarefa do momento e vai muito além de ganhar ou perder a disputa pela opinião pública ou angariar antipatias.

Na superficialidade das informações via redes sociais – entre brados de blasfêmias e dízimos ampliados – zelosamente chocamos os ovos de serpentes de pensamento muito parecidas com aquelas que exigem sangue, violência e morte como única forma de reparar alegadas ofensas e seus ícones sagrados. Eis o grande perigo!  

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