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segunda-feira, 6 de julho de 2015

Hospital Fantasma Foi Pago Sem Autorização do BNDES


Ricardo Murad
Murad pagou R$ 4,8 milhões à construtora do hospital fantasma de Rosário. Empresa doou dinheiro às campanhas de Andrea Murad e Sousa Neto.
De acordo com a reportagem de domingo do jornal O Imparcial, o pagamento de R$ 4,8 milhões para a empresa Ires Engenharia Comércio e Representações Ltda na gestão do ex-secretário de Saúde, Ricardo Murad, não teve autorização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Sob o comando de Ricardo Murad, a Secretaria de Saúde contratou e pagou a Ires para a construção de um hospital com 50 leitos em Rosário, mas no local inexiste a obra, há apenas um terreno com tapume.
Como defesa, Ricardo Murad afirmou que o pagamento foi aprovado pelo BNDES, mas a reportagem teve acesso a documento que contesta a versão do ex-secretário.
A Cobrape, gerenciadora do BNDES, enviou ofício no dia 24 de outubro de 2014 alertando a Secretaria de Estado da Saúde (SES) que o pagamento não tinha aprovação do BNDES. Apesar da advertência formal, o ex-secretário Ricardo Murad pagou R$ 4,8 milhões pela obra, embora em auditoria realizada este ano pela Força Estadual de Transparência e Controle (Fetracon) tenha sido constatada a execução de apenas R$ 519 mil, causando prejuízo ao erário no valor de R$ 4,2 milhões.
De acordo com o levantamento feito pela Fetracon, a obra está parada desde a gestão passada, o canteiro de obras foi abandonado em setembro de 2014 pela empresa Ires Engenharia Comércio e Representações Ltda. Mesmo com os vários problemas e sem a aprovação do BNDES, a empresa recebeu o pagamento de R$ 4,8 milhões.
O pagamento milionário poderia ter sido barrado pela Secretaria de Saúde. Na gestão do ex-secretário Ricardo Murad foi feito um contrato de R$ 70 milhões com a empresa Proenge Engenharia e Projetos Ltda para elaboração de projetos e fiscalização das obras. Diante da não execução dos serviços, a Proenge deveria ter negado o pagamento, mas o pagamento foi realizado pela SES.
Além de todos os problemas, a Proenge e a Ires aparecem como doadoras da campanha eleitoral de 2014 de parentes de Ricardo Murad. Para a filha dele, a deputada Andrea Murad (PMDB), foram depositados R$ 60 mil pela Ires Engenharia Comércio e Representações apenas sete dias depois do pagamento de R$ 3,12 milhões feito pela Secretaria de Saúde, no dia 17 de novembro do ano passado. Para o genro de Ricardo Murad, o deputado Sousa Neto (PTN), foram depositados R$ 40 mil.
Já a Proenge Engenharia e Projetos Ltda, que aprovou irregularmente os pagamentos para a Ires, mesmo sem a obra ter sido realizada, fez a doação de R$ 40 mil para a campanha da deputada Andrea Murad, através de transferência eletrônica no dia 22 de julho.

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