quinta-feira, 30 de julho de 2009

Municípios Reclamam Queda de 11% do FPM


O repasse governamental que compõe o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) fechou o mês de julho com queda de 11%. Hoje (quarta, 29), o Tesouro Nacional transferiu para prefeituras de todo o país o valor global de R$ 805,6 milhões, referentes ao terceiro decênio deste mês, já descontados os recursos do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (Fundeb).

Segundo a Confederação Nacional dos Municípios, o montante dos repasses aos municípios referentes ao terceiro decênio, incluindo-se o Fundeb, chegou a R$ 1,007 bilhão. Assim, os recursos creditados pelo Tesouro somaram R$ 3,083 bilhões em julho – valor 11% inferior ao que foi repassado no mesmo período de 2008, que foi de R$ 3,464 bilhões (diferença de quase R$ 400 milhões). Em 2009, praticamente R$ 27,5 bilhões já foram destinados às prefeituras pelo governo – quase R$ 1 bilhão a menos do que o repasse dos primeiros sete meses do ano passado.
A Secretaria do Tesouro Nacional estima que o total de recursos que vão compor o FPM bruto em agosto será 31% mais elevado do que o que foi repassado neste mês. A previsão é de um montante bruto de R$ 4 bilhões durante os três decênios do próximo mês.

Os déficits registrados na destinação de recursos federais aos municípios já são alardeados desde o início do ano pelo presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski. Em março, Paulo manifestou descontentamento ao Congresso em Foco ao considerar que, enquanto o governo se valer de redução de tributos como IPI (imposto sobre produtos industrializados), que incidem na arrecadação do FPM, os prejuízos continuarão.

"É lamentável, o governo deveria conceder isenções em suas áreas, não nos municípios. Isso está estrangulando o desempenho dos municípios, que estão sem margem de manobra", reclamou Paulo, que ainda aponta aumento na retenção de repasses junto ao Fundeb, que também reduz os recursos para livre utilização do FPM pelas prefeituras. Naquele mês, os efeitos da crise financeira internacional também teriam trazido limitações a movimentações financeiras em nível nacional, um dos fatores de retração dos repasses ao Fundo mencionados por Paulo.

“Este é um mês [julho] em que o FPM é bem menor, mas a queda verificada está bem acima do estimado, o que pode indicar que a recuperação da economia e o aumento da arrecadação de IPI e IR [imposto de renda] ainda vai demorar um pouco para chegar aos cofres municipais“, contemporizou Paulo, para quem a redução de repasses obrigará o governo a procurar mais suplementação orçamentária.

Como exemplo do fator de recuperação, Paulo aponta a aprovação da Medida Provisória 462/09, que institui o Apoio Financeiro aos Municípios (AFM). O mecanismo, lembra o presidente da CNM, já garantiu crédito inicial de 1 bilhão, que estaria em processo de esgotamento. “É imprescindível que o presidente Lula encaminhe rapidamente ao Congresso Nacional o pedido de mais recursos para os municípios”, concluiu. Do valor inicial via AFM, restam apenas R$ 38 milhões em caixa disponíveis para os municípios (R$ 962 milhões já foram repassados pelo Tesouro).

Informações: Congresso em Foco

quarta-feira, 29 de julho de 2009

UFMA Abre Vagas Para Chapadinha


A Universidade Federal do Maranhão, através da Pró-reitoria de Ensino (Proen), divulgou Edital nº 154/2009, as normas gerais para preenchimento das vagas existentes nos Cursos de Graduação da UFMA que tratam de Transferência Interna, Transferência Externa, Nova Habilitação e/ou Modalidade e Matrícula de Graduado, no 2º semestre letivo de 2009. São ao todo 1216 vagas ociosas oferecidas nos campus em São Luís, Imperatriz, Chapadinha e Codó.
As inscrições serão realizadas no período de 27 a 31 de julho de 2009 (sexta-feira), das 08h às 12h e das 14h às 17h, nos locais abaixo:

I. Campus de São Luís: Divisão de Expediente, Protocolo e Arquivo (DEPA) – Campus
Universitário do Bacanga, Prédio Mal.Castelo Branco (Castelão), nesta;
II. Campus de Imperatriz: Secretaria Acadêmica, Rua Urbano Santos, s/n – Imperatriz;
III. Campus de Chapadinha: Secretaria Acadêmica, BR 222, Km 04, s/n – Chapadinha;
IV. Campus de Codó: Secretaria Acadêmica, Rua Professor Fernando de Carvalho, 1586 – Codó.

Para efetuar as inscrições, os candidatos devem apresentar os documentos solicitados e indicados no Edital.

O Processo Seletivo constará de prova específica e/ou prova de redação, em conformidade com os critérios de avaliação, conteúdo e referências bibliográficas especificados no Edital. A listagem inicial de candidatos cujas inscrições no Processo Seletivo foram deferidas será divulgada até 05 de agosto de 2009, no sítio da Universidade na Internet: http://www.ufma.br/.

A listagem final de inscrições deferidas, bem como as informações referentes aos locais de prova serão divulgadas até 11 de agosto de 2009, no portal UFMA. As provas serão aplicadas no dia 14 de agosto de 2009, com início às 08h30 e término às 12h30.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Roseana Não Deve Vir a Chapadinha

Dificilmente a governadora Roseana Sarney virá a Chapadinha por ocasião da reunião do Plano de Desenvolvimento da Região Turística do Meio-Norte, que acontecerá, no próximo dia 6 de agosto. É que Roseana recebe, na mesma data, o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) no canteiro da Usina Hidrelétrica de Estreito, no sul do estado, e visita uma escola técnica na periferia de São Luís.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Chapadinha Sediará Encontro Interestadual de Turismo


No próximo dia 6 de agosto a cidade de Chapadinha sediará encontro dos estados do Ceará, Piauí e Maranhão para debater as perspectivas de desenvolvimento do turismo nestes estados. Denominado de Plano de Desenvolvimento da Região Turística do Meio-Norte, o evento foi elaborado por diversos órgãos do Governo Federal e pelas Secretarias de Planejamento e Turismo dos estados.

No Maranhão, o Plano beneficiará três regiões: Lençóis Maranhenses, Delta do Parnaíba e Alto Munim, incluindo outros 21 municípios, além de Chapadinha. Segundo os organizadores, quando o projeto estiver implantado por completo, ele irá transformar a região que compreende o nordeste maranhense, hoje estagnada economicamente e detentora dos piores indicadores sociais.

Entre as autoridades, já confirmaram presença os titulares das pastas de turismo dos três estados, um representante do Ministério do Turismo e prefeitos das 21 cidades alvos do programa. A vinda da Governadora Roseana Sarney é provável, mas ainda aguarda confirmação.

Durante os debates, que serão realizados no auditório do CRESU, se tratará da versão preliminar do projeto, como o diagnóstico regional e informações sobre as atividades econômicas desenvolvidas na região e seus impactos ambientais, o processo histórico de ocupação da área e os impactos sobre a identidade cultural, o contexto fundiário, demográfico e econômico, e, ainda, informações sobre infraestrutura de acesso e serviços e saneamento básico.

Como anfitriã do encontro interestadual a prefeita Danúbia Carneiro se mostrou empolgada com as oportunidades de desenvolvimento que poderão vir depois do projeto e recomendou total empenho de sua equipe na organização do evento. Ainda na fase preparatória Danúbia participa de ato, no Hotel Première, dia 03 de agosto, em São Luis, quando os governadores do Maranhão, Ceará e Piauí solicitarão oficialmente a construção da BR 402, que ligará Barreirinhas a Jeriquaquara.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Bar do Léo tem Funcionamento Garantido

Hoje é dia de vitória!”. Com esta frase, Leonildo Peixoto Martins, ou simplesmente, Léo comemorou a decisão que permite o funcionamento de seu espaço na feira do Vinhais. O bar do Léo, como é conhecido pelos ludovicenses funciona no local há 30 anos. Semana passada surgiram rumores que o bar poderia ser fechado. Tudo por causa do descumprimento de cláusulas do regimento de contrato, datado de 10 anos. Este havia vencido há dois anos, desta forma, o espaço seria submetido às regras para continuar funcionando. Uma reunião entre representantes do Governo e da cooperativa que administra a feira pôs fim ao impasse: o Bar do Léo fica. E ontem, no Dia do Amigo, ele abriu o espaço para comemorar.
Na sede da Secretaria Estadual de Administração a situação do Bar do Léo foi selada. Por volta das 17h membros do Governo e feirantes discutiram sobre a permanência do espaço. Os feirantes defenderam tratar-se não de um bar, mas de um canto de preservação da cultura e história local. Quanto ao vencimento do contrato, os feirantes afirmam terem apresentado a proposta de renovação no prazo. “O contrato reza que dentro de 90 dias, se a outra parte não se manifestar a renovação é automática”, explica o gerente administrativo da cooperativa, Cristino José Nascimento.

Foto e Informações: O Imparcial

UFMA Chapadinha: Um Campus Contra o Atraso


Depois de gerar forte repercussão com a reprodução no Jornal Folha do Baixo Parnaíba, publicamos a íntegra da matéria do Jornal Valor Econômico sobre o Campus IV, que também retrata o cotidiano e traz dados do município de Chapadinha. O texto é mais longo do que o usual para a Internet, mas vale a pena a leitura, especialmente para aqueles chapadinhenses que estão distantes geograficamente. Aproveito para reparar a omissão - involuntária, porém injusta – do nome do autor da matéria da versão impressa.
Alexandre Pinheiro

Por Paulo Totti

Chapadinha, no leste do Maranhão,tem 70 mil habitantes e apenas no lado ímpar de quatro quadras de sua avenida principal, a asfaltada Oliveira Roma, contam-se 13 farmácias. Balcões e armários brancos, esmaltados, limpos, as farmácias são povoadas de fregueses, quase tantos quanto os que, logo depois da loja do Boticário, na esquina da Caixa Econômica Federal, frequentam a fila do Bolsa Família ou o guichê da Mega-Sena acumulada. À noite, boêmios, casais de namorados e alguns poucos “gaúchos” — negociantes de soja presentes na cidade apenas para uma transação bancária, pois as grandes plantações estão a 100 quilômetros, em outros municípios — reúnem-se na praça principal para tomar cerveja e assistir a novela ou o jogo do Brasileirão na grande tela de cristal líquido.
Nesta região do Baixo Parnaíba, quase divisa com o Piauí, que já não é mais floresta amazônica, mas a vegetação rasteira ainda não se definiu entre ser caatinga ou cerrado, o governo federal desenvolve uma de suas experiências de interiorização do ensino superior. Trata-se do Centro de Ciências Agrárias e Ambientais (CCAA), um campus avançado da Universidade Federal do Maranhão. A experiência está dando certo?Sim e não.
“O campus tem problemas, sim, mas é experiência fascinante com belo futuro”, diz Jocélio dos Santos Araújo, paraibano de 33 anos. Diretor desde 2008 do CCAA, onde há três anos funcionam cursos de graduação em agronomia, zootecnia e biologia, Jocélio chegou ao Maranhão depois de um périplo pelo país. Graduou-se em zootecnia no campus da Universidade Federal da Paraíba, na cidade de Areia; fez mestrado na Federal de Pelotas, RS, e o doutorado na Federal de Lavras,MG. Era orientador de mestrado na Universidade Estadual do Paraná, em Cândido Rondon, quando se candidatou a professor em Chapadinha e,mais tarde, a diretor do campus, para receber a maioria dos votos de alunos, funcionários e professores. Esta região tem um dos dez piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil e a vida aqui tem poucos confortos. Mas por isto estamos aqui, para a transformação. Sabemos que o pioneirismo implica sacrifícios, é assim no mundo inteiro”, diz Jocélio.
O IDH de Chapadinha (longevidade, educação e renda) é de 0,588, inferior à média do Maranhão (0,683) e também de Alagoas (0,677), os Estados com a pior qualidade de vida do país. Brasília tem o IDH mais alto, 0,874. Ao lado de sua mesa, na apertada sala de diretor do campus, Jocélio
ostenta um espectrofotômetro de infravermelho próximo. O delicado equipamento serve, por exemplo, para estimar o quanto de proteína um bovino ou caprino precisa para aumentar sua produção de carne ou leite. Em todo o Nordeste só a Embrapa possui semelhante joia, e Jocélio, mestre e doutor em zootecnia, a afaga com orgulho. O maior dos problemas do campus está a menos de duzentos metros e estaria à vista do diretor se seu gabinete tivesse uma janela para o horizonte. Por trás de viveiros com experimentos de legumes e hortaliças aparecem os primeiros telhados dos invasores. Jocélio mostra um desenho com o traçado original do terreno da Universidade, algo com a forma de um trapézio, e separa 20% com um risco: “Até aqui mando eu; o resto é invasão”. Dos 150 hectares pertencentes ao campus, em torno de 120 estão ocupados por intrusos. Nada dos tradicionais sem-terra, aqui os invasores são gente de posses, mais de 100: pequenos e médios comerciantes, dentista, dono de uma rede de padarias, funcionários públicos, afilhados de políticos, ex-delegado e até um sargento aposentado da Polícia Militar que ergueu uma casa de campo com mais de 250 m2 , dois andares, avarandada, com piscina, obra de arquiteto competente e de bom gosto.
Poucos invasores moram nas casas — alguns vivem em São Luís — ou não estão em casa nas horas de trabalho. Às três da tarde de uma quarta-feira, o Valor conversou com Antônio Diogo de Souza, que faz parte dos três ou quatro que não tinham onde morar antes da invasão. Antônio, com mulher e quatro filhos — o mais velho, 20 anos, desempregado; os demais não estudam —, está ali “há dez anos”. “Os ricos estavam chegando e eu cheguei também com minhas coisas”, diz. Ao lado de sua casa começa “o sítio” do dono das padarias. Antônio ocupa um terreno de 26 por 110 metros, onde, atrás da casa de taipa, cultiva uns dez pés de macaxeira. “Se o doutor quiser, vendo o terreno agora por 20 mil”.
Na 5a Vara da Justiça Federal em São Luiz tramita o pedido de reintegração de posse. A causa se arrasta desde o ano passado e, pela ousadia de pedir a expulsão dos invasores, Jocélio foi ameaçado de morte, e, com a mulher, mineira, e duas filhas, uma de 16 anos e outra de 11 meses, teve de abandonar Chapadinha por alguns dias, no começo do ano. Foi quando, autorizado pelo juiz federal José Carlos do Vale Madeira, e pelo reitor da UFMA, começou a cercar com muros o terreno pertencente ao campus. Nada aconteceu com Jocélio, mas um vereador e seis capangas espancaram, no centro da cidade, o professor Telmo José Mendes, secretário do meio ambiente da atual prefeita, Danúbia Almeida (PR).
O paulistano Telmo, formado em engenharia civil na PUC de Campinas, com doutorado de geociências na Unicamp, leciona desenho técnico, topografia e construções rurais no campus, aonde chegou precisamente durante a aula inaugural no dia 20 de novembro de 2006, em meio, segundo ele, ao maior temporal de sua vida. Como secretário municipal, Telmo recomenda fossas sépticas aos habitantes da cidade; como professor do campus, cuidou do muro que tenta evitar novas invasões. A ausência de fossas pode explicar o mercado para tantas farmácias em Chapadinha, como o muro do campus explicaria a surra em Telmo.Isaías Fortes (PP), prefeito eleito em 2006 e cassado logo depois por corrupção em gestão anterior, foi um dos que autorizaram amigos e afilhados a ocupar as terras do campus. E é pai do vereador espancador. As terras foram doadas pela prefeitura à Universidade em 1983, em documento registrado em cartório. No local, funcionou um curso de pedagogia, também ligado à UFMA, que formou apenas uma turma, não promoveu novos vestibulares e fechou as portas em 1987 (José Sarney, PMDB, maranhense de Pinheiro, era o 35o presidente da República, com mandato de 1985 a 1990). Abandonados, os 150 hectares foram sendo invadidos. A própria prefeitura, em várias gestões, doou, também com papel passado, parcelas da propriedade, mas já não podia presentear com o que não mais lhe pertencia. Só em 2006, o governo federal resolveu reocupar o terreno e dar-lhe um destino permanente e sério, ao lado de outros quatro campi no Maranhão: Imperatriz, Bacabal, Pinheiro e Codó. O campus agora integra o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Em despacho de 7 de maio, o juiz federal Madeira determinou uma perícia para definir os limites da propriedade da Universidade e a realização de um estudo sócioeconômico da situação dos “residentes em cada imóvel (o juiz não usa a expressão ‘invasores’)”.
O reitor Natalino Salgado diz que a prefeitura de Chapadinha concorda em remover os moradores de baixa renda para terrenos da municipalidade. “Quanto aos demais, com casas de alvenaria, vamos brigar na justiça, sem acordo”. A prefeitura concorda também em ceder, até que a questão judicial se resolva, uma outra área para as atividades práticas do campus. Esta é a segunda razão das queixas dos alunos: como podem funcionar cursos de agronomia, zootecnia, biologia, se não há espaço para plantar e semear, criar gado (caprino, especialmente), movimentar máquinas, cultivar peixes em tanques? “As primeiras turmas se formarão em 2011 e teremos deficiência em disciplinas de campo”, diz Charles Tavares, 20 anos, do quinto período de agronomia, cujo pai na cidade de Tuntum, ao sul do Maranhão, 480 quilômetros de Chapadinha, quer aproveitar o aprendizado do filho para melhorar o rendimento de seus 200 hectares de terra. “Os professores são bons, mas ficamos na teoria. Às vezes vamos visitar fazendas aqui perto. É solução entre aspas, porque não basta ver o que os outros fazem. Tem que botar a mão na terra, errar,acertar. Assim é que se apreende”. A namorada de Charles Wagner, Larissa Portela, 22 anos, leva dois dias no carro do pai para vir de Anápolis, Goiás, para cursar o terceiro período de zootecnia em Chapadinha. Ela também se queixa da falta de aulas práticas, mas diz que já fez dois anos de veterinária na PUC de Poços de Caldas, MG, — “onde descobri que minha vocação era a zootecnia” —, e observa uma vantagem em Chapadinha. “As coisas ainda não funcionam perfeitamente, mas aqui a mentalidade é nova e a partir do ano que vem acho que tudo será novo, laboratórios, equipamentos”. Larissa diz que há faculdades com 60,70 alunos para um professor. “Aqui a relação é de dez para um”.
Professores e alunos têm outra carência: salas de aula. Estas, mais a biblioteca, os laboratórios e a própria sala de reunião e descanso dos professores, comprimem-se no prédio da administração. Um moderno edifício à entrada do campus deveria estar pronto desde 2007, mas a construtora faliu no meio das obras. Elas foram retomadas este ano e metade das instalações está concluída, à espera de detalhes de acabamento, água e luz. O reitor Natalino voltou de Brasília há dez dias com uma boa notícia: o Ministro da Educação, Fernando Haddad, liberou R$ 6 milhões para assegurar que o novo prédio e um anexo para abrigar máquinas dos cursos de agronomia e zootecnia funcionem em março de 2010. Com isso, o campus pode abrir mão de salas de aula alugadas de uma escola particular no centro da cidade. “Com aulas em lugares diferentes e distantes, interrompe-se a convivência de docentes e discentes que define uma universidade”, diz o presidente do Centro Acadêmico da Biologia,Wagner Marques, 24 anos, quinto período. No ano passado, por causa das deficiências de infraestrutura, os três cursos, com a liderança da biologia de Wagner, entraram em greve e o campus ficou mais de um mês paralisado. Wagner não afasta a hipótese de nova greve no segundo semestre. Ele diz que, em São Luís, a reitoria dá pouca atenção aos problemas de Chapadinha e que recursos liberados por Brasília sofrem “estranhas demoras” no seu repasse para o campus (o reitor nega).
O campus tem hoje 406 estudantes e é destacável a quantidade de alunas. Elas só são minoria em ciências biológicas: 109 homens, 47 mulheres. Nas 102 matrículas de zootecnia, as mulheres são exatamente a metade. E em agronomia há 47 homens e 101 mulheres. O diretor Jocélio considera pequeno o número de estudantes. Com 40 vagas a cada semestre, o campus deveria ter hoje perto de 800 alunos. “A causa é a fraca aprovação no vestibular”, diz André Luiz Gomes da Silva, fluminense de São João do Meriti, doutor em biologia. Aos 21 anos, soldado da aeronáutica no Rio, lembra que foi denunciado por um cabo por ler um livro de plantas e flores no horário de serviço. “É verdade, capitão”, disse André ao comandante, “tenho exame hoje à noite.” “Exame de quê?” “Biologia, estou no terceiro ano de graduação”. “Cabo”, gritou o capitão, “você é que merece alguns dias de gancho”. André Luiz, de família pobre da Baixada Fluminense, fez todos os cursos em escola pública e é considerado um dos melhores professores de Chapadinha. “É igual à gente”, dizem os alunos. Larissa Portela conta que havia 500 inscritos para 80 vagas na zootecnia quando fez vestibular. “Só passaram 24”. Analu Pereira dos Santos Costa, da cidade de Brejo, a 80 quilômetros, 20 anos, quinto período de biologia, mãe viúva e professora primária, conta que em sua turma de vestibulandos, em 2007, eram 200 candidatos. “Passaram 13”. André Luiz explica: “O número de inscritos confirma o interesse pelo campus no Norte, no Nordeste e até no Centro Oeste. As pessoas não passam no vestibular porque o ensino médio é fraco”.
Em lugar de escolas de cara e alta tecnologia, não seria melhor instalar em Chapadinha, como se tentou fazer na década de 80, escolas de licenciatura, formar professores de ensino médio? A maioria dos professores e alunos discorda. O reitor argumenta: “A presença do campus já mobiliza e vai modernizar a economia da região, gerar emprego e renda no Maranhão e também no Piauí, que é próximo. E tenhoumanotícia: estamos implantando a 100 quilômetros, em São Bernardo, uma extensão do campus de Chapadinha,com cursos de licenciatura em ciências da natureza, matemática, informática, ciências humanas. As aulas vão começar em março”. Lívio Martins Costa Jr. é da vizinha cidade de Brejo, e veio a ser professor em Chapadinha depois de graduar-se na UFMA e fazer mestrado e doutorado na Federal de Minas Gerais. Reconhece que, até agora, o campus contribuiu pouco para mudar mentalidade e modo de produção da região de Chapadinha, cuja economia ainda gravita em torno do comércio, do cultivo do babaçu e algumas plantações de soja, com mão de obra que os “gaúchos”—quem planta soja no Maranhão é gaúcho, mesmo que tenha nascido em Juiz de Fora — importam de outros Estados, pois “aqui ninguém sabe manejar máquinas de até R$ 1 milhão”,como diz Charles Wagner, o namorado de Larissa. “Precisamos de um efeito demonstração, alguém que venha de baixo e que faça sucesso. Ele servirá de modelo e outros o seguirão.
Tem que acabar essa ladainha: ‘meu vizinho se mata e nunca sai do lugar’”, diz Lívio, que leciona no campus e tenta criar empresários modelo em experiência que realiza com 20 famílias de criadores da cabras e ovelhas a 70 quilômetros da cidade. Veterinário e parasitologista, Lívio leva seus alunos para constatar os progressos que já alcançou no combate à verminose do rebanho e no aumento da produção( 5 kg de peso vivo,2,5 kg de carne) em caprinos de corte que trata com tanino de acácia. “Nunca pensei que poderia exercer a profissão na minha terra”, diz Lívio, otimista, também, com o crescimento da produção de soja. “Pode ser o início de uma cadeia produtiva, industrialização local de óleo e farelo, fábrica de rações para permitir criação de frangos. É isso: visão empresarial e vontade política”. “E o transporte dos estudantes?”, pergunta Joyce Laís Alves de Souza, 20 anos, quarto período de biologia, filha de um pedreiro em Magalhães Almeida, a 160 quilômetros de Chapadinha. “Não é mestre de obras, não. É pedreiro mesmo, ganha diária de R$ 35, quando trabalha”, explica Joyce. Ela, Analu e a outra companheira de república, Ana Paula, 20 anos, quarto período de biologia, nascida em Nina Rodrigues, a 90 quilômetros, vão juntar-se todas as manhãs a dezenas de colegas que, na frente da prefeitura, esperam carona para o campus. Não há transporte coletivo na cidade.
Para chegar até o campus, só de carona, de bicicleta ou moto. “Na volta até dá para vir a pé, a gente vem conversando, sem hora para chegar, mas são mais de 40 minutos”, diz Ana Paula. As três, que, mesmo quando o Valor as fotografava, não largavam os livros, pois era época de provas, contribuem com R$ 160 cada uma para a caixinha comum destinada ao aluguel de uma república com dois quartos, sala, cozinha e banheiro, mais alimentação e limpeza. Não há transporte e também não há restaurante universitário, nem quadra de esportes no campus. “As duas últimas questões terão solução até o ano que vem. Estou na reitoria há apenas 18 meses”, diz Natalino, 60 anos, médico nefrologista, maranhense de Cururupu, e doutor pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Já o transporte é problema da prefeitura que, como tudo na cidade, parece não ter muita consciência do que representa um campus universitário nas imediações.
Foto: acervo dos alunos da UFMA Chapadinha

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Bar do Léo Fecha em 48 horas

A maré não tá pra peixe e a noite não pertence mais aos boêmios. Depois da descoberta que precioso líquido anda freqüentado por indigestas criaturas aladas, vem a notícia que o Bar do Léo (foto), que funciona na Feira do Vinhais, em São Luis, vai fechar. Leiam matéria do jornalista Ricarte Almeida, que reproduzo abaixo.

É isso mesmo. O museu Musicultural "Bar do Léo", com todo o seu rico e significativo acervo da nossa cultura, em suas mais diversas áreas da produção artistica e cultural, tem apenas 48 horas para acabar.
Os imbecís que tomaram essa decisão não conseguem enxergar naquele espaço fabuloso, admirado no Maranhão, no Brasil e até no exterior, algo além de um mero bar. Por isso decretaram o fim do Bar do Léo.
Um lindo e aprazível espaço já visitado e reverenciado por figuras consagradas como Yamandú Costa, a dupla Zé da Velha e Sivério Pontes, Paulinho Pedra Azul, Severino Filho (d'Os Cariocas), Matheus Nachtergaele, Zeca Baleiro, Fagner, Nonato Luís, Turíbio Santos, Luís Nassif e tantos outros.
Leonildo Peixoto, o Léo, acaba de ser informado pelo advogado de sua cooperativa, que só lhe restam apenas 48 horas para desocupar o imóvel que ele tanto zelou e valorizou.
Se você não conhece o Bar do Léo, aproveite, corra, leve os amigos, os filhos, as pessoas que você mais ama. São Luís pode perder nas próximas horas, um dos mais respeitáveis espaços de fruição e deleite cultural.
Se você já o conhece, aproveite hoje, ou quem sabe amanhã, se ainda houver tempo, e se despeça de um dos mais interessantes espaços de vivência boêmio-cultural do país que você já encontrou. Se nada for feito pra impedir essa barbaridade, essa ignorância lapidar, a partir de sábado nem mel nem cabaça.
Adeus Bar do Léo.Por favor, passe essa notícia adiante, pros seus amigos, contatos nacionais, autoridades, enfim, o que você puder fazer.
Talvez, amanhã seja a última sexta feira do Bar do Léo. Vamos todos lá?

foto: do blog "Só blônicas"