sábado, 2 de outubro de 2010

No Maranhão Não se Vota, Diz-se Não à Oligarquia

Por: Roberto Kenard

Marx escreveu que a história só se repete na forma de farsa. As oligarquias se movem nesse tempo circular, é a farsa histórica por excelência.

Em entrevista antes da campanha eleitoral, Flávio Dino disse que havia a necessidade de republicanizar o Maranhão. Ou seja: proclamar a República no Maranhão. Não se trata de mera frase de efeito. Ela carrega implicações históricas e políticas da maior importância. Sua urgência extrapola o calendário eleitoral, muito embora só no calendário eleitoral ela ganhe força para se materializar.

As oligarquias tratam o Estado como propriedade particular, quem está fora do círculo familiar dominante não passa de agregado. Não é à toa que sua visão é patrimonialista.

Nos Estados oligárquicos o voto assume características dramáticas: não se trata do exercício da cidadania pura e simplesmente, mas quase uma decisão de vida ou morte.

O Maranhão é o último Estado oligárquico do Brasil. Há 45 anos a mesma família mantém o Estado sob suas rédeas, o que gerou uma cultura particular: clientelismo, domínio sobre a Justiça em todos os âmbitos, visão de desenvolvimento apartada da realidade, relações públicas pautadas pelo parentesco e pelo grau de amizade. O Estado é uma Casa Grande.

Domingo o maranhense dirá nas urnas se quer permanecer preso no tempo circular ou se deseja caminhar livre no tempo histórico. Se deseja derrubar a Casa Grande ou se prefere ficar preso no quartinho dos fundos. Se quer continuar a ser tratado como agregado ou se prefere ficar ereto e caminhar como cidadão.

No Maranhão, por conta da oligarquia Sarney, infelizmente, as nuances foram apagadas da história. Ou você é contra ou você é conivente.

Ao votar no domingo, portanto, o maranhense estará dizendo sim ou não ao domínio de uma única família. Nos Estados oligárquicos, as eleições são sempre plebiscitárias.

O bom senso, os homens de bem esperam, prevalecerá.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Isamara Teria Passado Borrachudo em São Luis

O Jornalista Luis Cardoso noticia que a candidata Isamara Menezes teria passado cheques sem fundos em pagamento de despesas de campanha. Isamara nega. Reproduzo abaixo as matérias, depois volto comentando.
Luis Cardoso
Uma malharia de São Luís recebeu dois cheques da candidata a deputada estadual, Isamara, ao valor de R$ 5 mil cada.

Na malharia, a candidata esnobava que estaria eleita, sendo uma das mais votadas no Maranhão.
Os dois borrachudos foram dados para pagar serviços de confecção de bandeiras para a candidata.

Isamara é filha do ex-prefeito de Chapadinha, Isaias Fortes, e sobrinha do ex-deputado e candidato Wagner Pessoa.

Outro Lado
A candidata a deputada estadual, Isamara, ligou agora pouco para a redação deste blog a fim de desmentir que tenha dado um cheque no valor de R$ 5.000,00 para a confecção de bandeiras da sua campanha.

Segundo a candidata, o pagamento feito em cheques foi de R$ 1.900,00 e não de R$ 5.000,00 conforme publicação aqui no blog.

Isamara adiantou que vai processar a dona da malharia e o titular deste blog. Vamos aguardar!

Comentário Nosso
Nem todo cheque que bate na conta sem fundos configura estelionato ou mesmo calote, nem faz do emitente velhaco contumaz ou pessoa sem moral. Isso vale pra candidata, seu irmão e para mãe da prefeita.

Magno Vence Enquete


O resultado da enquete do blog é seguinte:

Magno Nota 10 - 20%

Isamara - 18%

Edmilson Carneiro - 17%

Marcos Caldas - 15%

Vagner Pessoa - 9%

Enquete na Internet recebe votos de todos os lugares e não quer dizer que o resultado se aplique à votação dos candidatos em Chapadinha ou no Estado. O equilíbrio entre os candidatos mostra que o blog tem leitores em todas as correntes de opinião. Obrigado!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A Doença Infantil do Jornalismo


É contraproducente deixar de falar dos políticos pra atacar colegas comunicadores. Chamo isso de doença infantil do jornalismo. Ademais, as críticas dirigidas a mim têm sido tão repetitivas quanto ingênuas. Por último, à guisa de ofensa descobriram que sou “pretenso advogado”, como se buscar conhecimento e, por conseqüência, graduação-profissão pudesse depreciar alguém. Risível e nem adianta que não devolvo agravo.

Sobre as Notas da Quarta, 29 de setembro:
1) Já que tanto alegam, custa mostrar um documentozinho sequer mostrando condenação de Magno?continuo esperando.

2) Supondo que a prefeita falava pra poucas pessoas sem a presença do candidato, até que ponto isso pode influenciar no sucesso de uma campanha que fez dezenas de grandes manifestações populares?

3) Em nenhum momento disse que pagar o funcionalismo em dia não seria obrigação, falei que quem paga em dia tem mais moral pra pedir voto pra tal categoria do que os que deixaram salários em até 9 meses de atraso. Estou errado?

4) Respeitando a autonomia dos outros blogs só os exortei a mostrar imagens de grande comícios de seus candidatos preferidos, o que até agora não aconteceu.

5) Por último esclareço a questão da suspeita de advocacia administrativa – crime que não é exclusivo de advogados: até para que não se confunda com exploração eleitoreira, estou preparando a matéria com a devida cautela, há muito material e preciso ouvir algumas pessoas a respeito, os leitores e quem interessar possa, saberão do nome no momento certo.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Candidatos Firmam Acordo Sobre Eventos de Final de Campanha em Chapadinha


Os três candidatos ao cargo de deputado estadual com domicílio eleitoral em Chapadinha firmaram acordo, na presença do Juiz Eleitoral Mario Henrique Mesquita Reis, com relação aos eventos de encerramento da campanha eleitoral 2010.

A candidata Isamara compareceu pessoalmente à reunião, Magno Nota 10 e Vagner Pessoa mandaram representantes.

Durante a reunião ficou pactuado que haverá comício dos três candidatos amanhã (30). Isamara fará comício nas proximidades do Cemitério do Sozinho, na Avenida Ataliba Vieira. A concentração de Vagner Pessoa está marcada para a Avenida Oliveira Roma, em frente ao Armazém Paraíba. Magno Nota 10 faz comício na Praça do Caterpilar.

Carreatas em Dias Diferentes
Preocupado com a segurança dos militantes e da comunidade em geral, o Juiz Mario Henrique conclamou os presentes a firmarem acordo relativo a realização de carreatas em dias diferentes. Houve acordo, e assim ficaram distribuídas as datas: 30/09 Isamara (quinta); 01/10 Vagner Pessoa (sexta) e 02/10 Magno (Sábado). As de Isamara e Vagner começam na Rodovia perto de suas residências, a que encerra a campanha de Magno Nota 10 sai do Colégio João Gomes, final da Avenida do Bairro Areal.

Sobre o Debate da TV Mirante

De todas as análises sobre o debate que eu li na internet achei a do jornalista Marcos Nogueira a melhor para orientar a repercussão do encontro de candidatos na telinha da TV Mirante. Acima, dividido em tópicos o texto de Nogueira, abaixo de cada um deles, em destaque amarelo, nossa opinião.

Cega em tiroteio
Enfurecida com críticas feitas por Jackson Lago, Flávio Dino, Marcos Silva e Saulo Arcangelli, a governadora Roseana Sarney não aguentou a pressão e pediu socorro ao papai quase no final do debate: “no próximo debate (logicamente no segundo turno) eu vou chamar o Zé Sarney para debater com vocês...”

A pior que poderia ter acontecido para a oposição era alguma deselegância contra a única mulher presente ao debate, o que não aconteceu. Já escrevi que existem dois Sarneys: o respeitável presidente da redemocratização do Brasil e o oligarca empedernido relacionado historicamente a todos os fatos políticos do Maranhão nas últimas décadas. A menção deste ficaria ao encargo da oposição, como aconteceu; e do primeiro a Roseana, que deixou de fazê-lo.

Fugindo do debate
Nas três vezes que Roseana recebeu de Tonico Ferreira a incumbência de escolher os candidatos que iriam responder suas perguntas, Roseana evitou deliberadamente Flávio Dino e Jackson Lago. Fez duas perguntas para Marcos Silva e uma para Saulo Arcangeli.

Conselho de Duda e Cia. Quanto mais ela perguntasse a Flávio e Jackson mais oportunidades daria aos correntes mais perigosos na disputa. Acho, porém, que pode ter funcionado. Evitou desgaste maior porque pouca gente percebe essa artimanha dos marqueteiros.

Perdendo o rumo e o prumo
O candidato do PSOL, Saulo Arcangeli, perdeu uma oportunidade histórica de junto com Marcos Silva, Jackson e Flávio responsabilizar publicamente a governadora biônica Roseana Sarney e sua família pelo estado de miséria a que o Maranhão chegou. Saulo fez perguntas a Flávio e a Jackson dignas de um verdadeiro candidato laranja, tipo linha auxiliar da oligarquia.

Neste ponto Nogueira esquece que cada um vai ao debate pra realçar os conceitos centrais de uma campanha. Ideológico ao ponto de considerar Roseana, Jackson e Flávio “farinha do mesmo saco” não poderia perder, no caso de Flávio a contradição mais visível, talvez a única – sua relação com Humberto Coutinho, para corroborar tal pensamento.

Marcos Silva teve uma atuação destacada
Sem abrir mão de suas convicções, Marcos Silva, do PSTU, teve uma participação exemplar ao cobrar explicitamente de Roseana a responsabilidade histórica pelas privatizações da CEMAR e do BEM, a extinção de empresas públicas como a COPEMA e ao lembrar o rumoroso caso do pólo têxtil de Rosário, onde um chinês Chhae Kwo Chheng, amigo de Jorge Murad, marido de Roseana, aplicou um golpe de U$ 24 milhões em humildes trabalhadores da região do Munin.

Apesar da lembrança de pontos extremamente delicados para Roseana ele deixou de aumentar mil vezes a força do argumento quando deixou de dizer que ele, como ex-funcionário da COPEMA, conhece esta história com as dramáticas cores de quem viveu tudo na pele.

Flávio encostou Roseana na parede
Ao criticar Roseana veementemente, Flávio cunhou a melhor frase da noite: “É muito fácil governar assim, pois o Lula faz as coisas no Maranhão e a senhora só coloca a placa...”

Flávio Dino deixou de usar um argumento bom de não só o governo de Roseana, mas a própria campanha da candidata se escoram no presidente Lula. Talvez porque tema tenha sido usado contra Flávio por Castelo em 2008.

A fala final de Jackson
No último bloco coube a Jackson Lago encerrar o debate. De forma tranquila e serena enumerou os inúmeros feitos e obras de sua curta administração de pouco mais de dois anos e deixou claro o compromisso de melhorar os indicadores sociais do Maranhão, bem como construir mais cinco Socorrões em Imperatriz, Pinheiro, Balsas, Pedreiras e o terceiro grande hospital de urgência e emergência da capital.

Tem um argumento definitivo sobre o encurtamento do mandato de Jackson que remonta ao fato de que os últimos governadores foram eleitos com abuso de poder econômico, inclusive ele – Jackson, que logicamente não podia admitir o fato. Flávio que pretende o apoio de Jackson não deveria mesmo tocar no assunto. Já Saulo e Marcos Silva poderiam ter lançado esse constrangimento não só aos candidatos, mas ao TSE que deixou de tratar as denuncias anteriores ao caso Jackson como o mesmo rigor e celeridade deste.

Saindo pela tangente
Ao responder uma pergunta formulada por Flávio Dino dos motivos dela prometer tanto e não ter cumprido quase nada em seus primeiros dois mandatos, Roseana deu a resposta mais absurda da noite: “é porque o presidente FHC não apoiava meu governo como o Lula faz...”. Então tá governadora! A culpa de sua ineficácia como governante é do FHC. Patética!

Pior momento de Roseana no debate e bem utilizado por Flávio. Expôs a esfarrapada desculpa para os indicadores do Maranhão e de quebra mostrou a adversária como eterna aliada de qualquer ocupante do Planalto.

A dona do pedaço...
Pensando que mandava no debate, Roseana pediu direito de resposta três vezes ao mediador Tonico Ferreira, que só concordou com um pedido.

Ponto positivo para a organização do debate que enviou um jornalista de fora. Difícil seria que algum funcionário do Sistema Mirante, contrariasse o pedido da candidata-sócia da empresa.

Sangue real...
"Sou filha de Marli e José, casada com Jorge, tenho um filha chamada Rafaela e dois netos: Rafael e Fernanda. Tenho dois irmãos: Fernando e Sarney Filho...". Juro que não entendi o porque da citação da árvore genealógica da governadora. Ela estava seguramente fora de si e ainda tentou passar por vítima, por mulher injustiçada e perseguida, enumerando as cirurgias a que se submeteu em sua vida...

Essa tática (posar de vítima) funcionou no passado contra Cafeteira. Sem conhecer a história do Estado, Duda deve ter insistido na receita sem saber de seu desgaste e ineficácia. Entendi mas acho que não colou mesmo.

Em tempo: amanhã, para que nenhum leitor deste blog tenha dúvida sobre minha posição sobre a eleição de governo, esclareço porque voto no candidato Flávio Dino.

Notas da Quarta, 29 de setembro de 2010


Questão de Provar
Pra encerrar qualquer polêmica sobre o enquadramento do factóide lançado contra Magno Nota 10 e meus argumentos de ontem sugiro duas coisas: a leitura da íntegra da Lei da Ficha Limpa que disponibilizo o link na internet do Site Congresso em Foco (clique aqui) e a publicação das alegadas condenações de Magno Bacelar, repetidas a exaustão pela oposição, mas nunca mostradas.

Conceitos pra quem os tem
Diferente da objetividade jurídica – que é a que vale nos tribunais, o conceito de Ficha Suja ou Limpa pode ser usado contra adversários sob os critérios da ética profissional ou da falta dela. Portanto quem quiser considerar Ficha Limpa um já condenado pelo TCU, outro condenado por crimes de calúnia ou alguém suspeito de enriquecer usando da advocacia administrativa e ainda esconder que trabalha pra gente assim vá em frente.

Funcionalismo é 10
Chegando a eleição aumenta a produção de factóides, boatos e notícias falsas contra Magno e Danúbia. É a velha tática de repetir uma versão mil vezes até que ele pareça verdade na opinião pública. O caso da forte base eleitoral que tem Nota 10 com os funcionários, vendida como se formada a custa de ameaças pelos adversários, sem que a oposição atente para o fato de que deixaram essa categoria com 9 meses sem ver a cor do dinheiro, contra o reconhecimento de quem não só colocou os vencimentos em dia como promoveu políticas de valorização. Quem respeita o servidor tem moral pra lhe pedir o voto e ponto final.

Imagem Artificial
Outro truque antigo é mostrar imagens de reuniões quando estas ainda sequer começaram para passar esvaziamento. Receita: Vá a um comício do Lula, marcado para às 20h, chegue às 18 e faça imagem depois divulgue; pronto você evacuou artificialmente o comício de um cara cuja popularidade passa de 80%. Mais difícil é fazer o inverso e as imagens dos eventos de campanha com a presença de Magno e milhares de pessoas não deixam duvida, acima foto do comício de Nota 10 em Barra do Corda, ontem.

Perguntar Não Ofende
Por que os adversários de Magno ao invés exporem comício dele que sequer começou não mostram os seus? Olha que eles têm blogs oficiais campanha e outros para tanto.