quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Anapurus: Suzano Derruba Casas e Desrespeita Agricultores com Aval da Justiça


Moradores Entre os Escombros de Uma das Casas Destruídas  
A poderosa empresa Suzano Papel e Celulose, que cerca Chapadinha com promessas de milhões em investimentos e milhares de empregos, há muito ronda outros municípios da região deixando rastro de conflitos agrários, suspeita de dano ao meio ambiente e denúncias de grilagem de terras, desrespeito e truculência contra trabalhadores rurais e comunidades tradicionais do Baixo Parnaíba.

A última comunidade a ter problema com a Suzano recebe o nome de Formiga e fica a 45 quilômetros de Anapurus. Na sexta-feira (18) a empresa paulista conseguiu um mandado de reintegração de posse em caráter liminar (provisório), com decisão de juiz substituto proferida  contra pessoas que ocupam a área por pelo menos três gerações.

No cumprimento da decisão judicial três casas foram postas abaixo, cercas foram arrancadas, um antigo cemitério teria sido atingido pela derrubada de árvores e um poste de iluminação fora quebrado pelos tratores que executaram o serviço.

A Suzano diz na ação que adquiriu a terra em 1996, mostra uma cessão de direitos registrada em seu favor no Cartório Monteles de Anapurus, datada no mesmo ano de 1996 e documentos e taxas expedidos pelo INCRA com base na mesma cessão de direitos.

Os trabalhadores, quase todos herdeiros de Francisco Rodrigues do Nascimento, que constituiu família ali e tinha efetiva posse da terra há mais de noventa anos. Segundo relatos foram gerações sobrevivendo da pequena agricultura e do extrativismo (bacuri, pequi e babaçu) até a Suzano a reclamar a terra.

Os agricultores apresentam certidão do Cartório de 1º Ofício de Brejo em que a demarcação das terras em favor da família tem registro desde 1966.
 
Agricultores no Local Onde Havia Cerca

Suspeita de Grilagem
O advogado dos agricultores é enfático em suspeitar de grilagem, “infelizmente por conta de uma grilagem gigantesca, a Suzano e outras empresas de grande porte, que por cá estão se assentando, vem promovendo um verdadeiro atentado às nossas famílias do campo. De olho em terras, vem forçando uns e outros lavradores a deixarem suas terras (seu mais precioso bem)”, frisou o advogado.

Atualmente o Cartório de Anapurus passa por intervenção do Tribunal de Justiça por suspeita de irregularidades em registro de terras e outros documentos.

Plantação de Eucalipto Próxima a Área em Conflito

Testemunho Ancestral
Reunidos para mostrar o saldo do conflito com a Suzano, o clima era de revolta entre os agricultores. Homens, mulheres e meninos faziam questão de contar o drama e mostrar destroços efetuados em nome da lei. Todo pedido pra fotografar destruição era como se o clique da câmera pudesse reparar o estrago e cada narrativa tinha a ilusão revisória de outorgar ao repórter poderes de inauditas autoridades.

Entre os familiares do velho Francisco Rodrigues, uma filha Maria Rodrigues Portela e a nora Eugenia Batista de Souza Nunes, as mais antigas moradoras, buscaram na memória a vida na localidade ao longo do tempo e encarnavam o clamor de todos por justiça.


Trabalhadoras Lamentam Derrubada de Bacurizeiro
 
Eugenia Batista, 77 anos, conta que chegou na Formiga ainda muito nova e criou 13 filhos sem nunca sair da localidade. “Quando eu cheguei aqui já encontrei meu sogro morando aqui. Aqui vi meu sogro viver e morrer, assim como meu marido que também faleceu aqui. Esse tempo todo nunca vi meu sogro ou qualquer pessoa vender as terras pra firma nenhuma”, relata Dona Eugênia.

Um ano mais nova que a cunhada Eugênia, Maria Portela, disse que passou mal e foi parar no hospital no dia do cumprimento da determinação judicial. Maria Portela fala ainda do sacrifício da vida na agricultura: “criei meus filhos foi trabalhando, quebrando coco, vendendo criação e fazendo tudo pra nós termos onde morar com os filhos” disse.

Maria Portela declarou que ainda confia na justiça e espera que os prejuízos sejam reparados. Os agricultores tem auxílio de um escritório de advocacia da capital, que deve recorrer da decisão nos próximos dias. 

Prenúncio Simbólico  
O desfecho do conflito da localidade Formiga, sendo mais um entre poderosa empresa paulista e pequenos trabalhadores locais, é simbólico porque foi baseado em certidão de cartório suspeito, proferido por juiz interino e executado de forma desumana, numa escalada de desmandos que a pretendida expansão dos negócios da Gigante do Papel e Celulose só tende a aumentar.    

Poste Quebrado por Trator (fora da área em litígio)


Nota: Tentamos ouvir a Empresa Suzano por meio de três diferentes números de telefone, nenhum deles atendeu.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

PM e Bombeiros Decidem Pela Greve


Policiais Militares e Bombeiros decidiram, em Assembleia Geral realizada no início da noite de hoje na Federação dos Trabalhadores da Indústria do Estado do Maranhão (Fetiema), na Praça da Bíblia, paralisarem suas atividades por tempo indeterminado.

Neste momento os militares realizam carretas em São Luís e Imperatriz. Outras cidades como Bacabal e Timon também já aderiram ao movimento. Alguns policiais já teriam inclusive sidos detidos.

Delegados da Policia Civil e Agentes Penitenciários também entrarão em greve e engrossarão o movimento paredista dos militares.

Cerca de 200 homens da Força Nacional, atendendo a solicitação da governadora Roseana Sarney, já estão em São Luís, alojados no Castelinho e no 24º Batalhão de Caçadores, a fim de substituir os militares nos presídios e nas ruas.

Chapadinha
Até o momento não se tem notícia de adesões ou manifestações de Policiais Militares em Chapadinha. 

Informações John Cutrim

Integrantes do PROJOVEM Ganham Prêmio por Confecção de Dicionário

Essa manhã de quarta-feira, 23, foi especial para os jovens integrantes do PROJOVEM Adolescente, pólo bairro Campo Velho. Todos foram agraciados com uma singela premiação de reconhecimento ao excelente trabalho desempenhado, a confecção de um mini-dicionário ilustrado.


O mini-dicionário JOVENS CRIATIVOS resultou de uma dinâmica desempenhada em todos os pólos do programa, que tinha como objetivo principal a confecção de mini-dicionários ilustrados, com base em temas pré-definidos pelos coordenadores e orientadores do programa.

Para selecionar o dicionário melhor confeccionado foi feita uma votação que envolveu todos os pólos, onde não era permitido votar no próprio material confeccionado.

Após a escolha a coordenadora do programa, Adriana Cunha, fez questão de entregar pessoalmente a premiação aos membros do pólo campeão, que fica no CRAS do bairro a que se refere.

A Assistente social parabenizou todos os jovens e também as orientadoras Paula Valéria e Odalissa Sousa, que não mediram esforços para alcançar bons resultados com o trabalho.



Informações: SEMAS

Deputado Zé Carlos do PT Participa de Eventos em Chapadinha



O deputado estadual Zé Carlos (PT) - foto - estará em Chapadinha nos dias 25 e 26 para participar de evento do CONCIDADES (iniciativa que visa debater a situação da habitação, moradia e melhorias urbanas). O deputado também cumprirá agenda partidária. Na noite do dia 24 (amanhã), o parlamentar se reunirá com o diretório do PT de Chapadinha. No dia 25 (sexta-feira), além do CONCIDADES, Zé Carlos participa de encontro com trabalhadores rurais na sede do STTR local.

Maranhão: Preguiça e Política‏


Por: Almir Moreira – Advogado 

Na rede social faceebook, Dean Franklin, jornalista de peso da Chapada, levantou importante questionamento: o Maranhão é o Estado mais pobre da Federação por causa da família Sarney ou pela preguiça de seu povo? 

O homem primeiramente vivia em bandos, depois se organizou em sociedade, e mais depois inventou o Estado. Precisou dele para não sucumbir. Foi essa invenção sensacional – o Estado – que disciplinou a vida social, econômica e política. O acumulo de riquezas pelo trabalho ou pela guerra, ou ainda pela rapinagem criou um grupo de privilegiados, e o Estado veio para por ordem nas coisas, garantir o domínio de um grupo e ao mesmo tempo, sob um fetiche garantir o direito de todos. Calma, não sou anarquista! Essa foi a origem de tudo, resumidamente. O Estado moderno se reveste de outras formas e a democracia ajuda a superar essa marca inicial voltada a privilegiar um determinado grupo social escancaradamente. Por isso meus amigos o Estado é imprescindível, e se assim o é; a política, instrumento exclusivo para se manejá-lo, é também imprescindível. Assim como na idade média se dizia, “fora da Igreja não há salvação” é correto afirmar: fora do Estado só há a barbárie. Isto, claro, desde os primórdios da gestação da sociedade organizada em classes sociais.

O Maranhão é o Estado mais pobre da Federação por falta de política a altura para promover seu desenvolvimento econômico e social com garantia de ampliação de rendas; diminuindo a desigualdade abissal reinante em nossa formação desde outros séculos. Preguiça? Causa de nosso atraso, não. E a quantidade de nordestinos e maranhenses labutando no Sul? E a quantidade de maranhenses ajudantes na construção do Rio de Janeiro e de São Paulo? Para lá foram por causa das políticas de desenvolvimento destes Estados ou da região onde se encontram.

Faltou e falta mesmo para o nosso Estado é uma política popular, melhor dizendo participativa, que contemple a sociedade como um todo, alavancando investimentos e incentivando nossas peculiaridades como nosso gigantismo nos setores, turístico e da agroindústria, por exemplo. Tivéssemos governos com responsabilidade e competência nossas chapadas (cerrados) ou a rica região para pecuária situada no Mearim seriam exploradas de uma outra forma, e primeiramente por maranhenses. 

Esta é a grande tarefa para a democracia moderna, ampliar a participação popular na administração do Estado, inclusive profissionalizando esta administração. Não foi à toa a criação de uma gama de conselhos populares no âmbito da administração pública. Precisamos de governantes com esta nova visão, ampliada de democracia participativa.

Encerro botando Winston Churchill, estadista inglês, para ajudar na resposta ao questionamento do nosso bom comunicador, Dean Franklin, a respeito da responsabilidade sobre a pobreza do nosso Estado: "O político deve ser capaz de prever o que vai acontecer amanhã, no próximo mês e no próximo ano, e de explicar depois o porquê de não ter acontecido."