domingo, 7 de fevereiro de 2010

A Velha Elite Contra “O Filho do Brasil”


Por: LUIZ CARLOS BARRETO

Abertura do Festival de Brasília, 17/11/09, primeira exibição pública de “Lula, o Filho do Brasil”. Enquanto o filme se desenrolava na tela, já estava em curso o massacre político promovido por um exército de escribas, comentaristas políticos, colunistas sociais improvisados, ex-militantes políticos de aluguel, cientistas políticos de plantão convocados a se manifestar apenas do ponto de vista especulativo sobre seu potencial político-eleitoral, afirmando que a eleição presidencial de 2010 seria decidida a partir da força emocional do filme.


Além da ingenuidade infantil dessa tese (ou de sua má-fé?), o que eles questionavam era o nosso direito de fazer um filme sobre o assunto que escolhemos. Pode-se fazer filmes sobre Bush, Berlusconi ou Mitterrand pelo mundo afora, como tem acontecido. Pode-se fazer filmes sobre Getúlio, Juscelino, Tancredo, Jânio ou o empresário Boilesen. Mas sobre Luiz Inácio da Silva, não.


Há os que viram (mais de 800 mil pessoas), os que não viram ainda e os que viram, mas não quiseram ver o filme como um filme com todos os seus méritos e valores cinematográficos, como testemunharam e assinaram embaixo Ziraldo (”Uma história bem contada e bem filmada. Impossível não se comover”), Zuenir Ventura (”O filme mexe com a emoção e vai inundar os cinemas de lágrimas”) e Cacá Diegues (”A história de vida que esse filme conta com muita emoção nos ajuda a compreender melhor o valor da democracia, do direito de todos à liberdade e oportunidade”).


Falar dos méritos e eventuais deficiências desse filme de Fábio Barreto era uma obrigação dos críticos, e é claro que todo mundo tem direito de externar sua opinião, de gostar ou não gostar do filme que viu.


Mas, de tudo que li, poucos tiveram a honestidade intelectual e profissional de criticar o filme como uma obra cinematográfica, escolhendo contestar o direito que qualquer cineasta tem de fazer um filme sobre o assunto que bem entender. A maioria dos que escreveram sobre “Lula, o Filho do Brasil” preferiu este último caminho elitista, censor e autoritário.


Esse processo revela o espírito “patrulheiro” que ainda resta no Brasil como sequela do período autoritário da ditadura militar, quando Cacá Diegues denunciou as patrulhas ideológicas. O espanto é que, em pleno regime democrático que o Brasil vive e respira, haja lugar para esses procedimentos e expedientes antidemocráticos.


A democracia não é o regime que deve silenciar aqueles com os quais não concordamos, eliminá-los ou evitar que eles se manifestem. Na democracia, quando não estamos de acordo com alguma ideia que nos incomoda, produzimos a nossa para que haja um confronto livre entre as duas e a população possa escolher a sua alternativa. Mas os nossos detratores preferiram contestar nosso direito de realizar o filme, manifestando seu desejo antidemocrático de que esse filme jamais fosse feito ou exibido.


Toda a engenharia financeira foi montada às claras e de forma transparente. Desde a partida, decidimos não utilizar nenhuma forma de renúncia fiscal nem buscar o aporte de empresas estatais. Mesmo assim, levantaram-se dúvidas e insinuações de que estávamos utilizando recursos incentivados, acusações que serviam e serviram para provocar antipatia ética pelo filme, pondo em segundo plano suas qualidades cinematográficas.


Agora estamos reformulando algumas estratégias do lançamento comercial, que está iniciando sua sexta semana e já acumula mais de 800 mil espectadores, e sabemos que ainda resta muito chão pela frente, seja no sistema convencional de exibição em salas, seja no sistema alternativo de exibição, que vai levar o filme a uma grande parte de 90% dos municípios do Brasil que não têm cinema.


É lá no Brasil profundo, a preços populares e condizentes com o poder aquisitivo dessas populações, que iremos atingir o público alvo do filme: os Silvas deste país, que precisam e querem conhecer o exemplo de força, persistência e superação de Dona Lindu e seus oito filhos, exemplo que vai correr o mundo em telas de cinema, TV aberta, cabo, DVD e internet.


Nesse sentido, já temos estreias marcadas na Argentina, no Chile, no Uruguai e no Paraguai ainda neste primeiro semestre de 2010, e na Colômbia, no Peru, na Venezuela, no Equador, na Bolívia e no México no segundo semestre de 2010.


Qualquer mudança nessa trajetória do nosso pau de arara cinematográfico, informaremos, na certeza de que não vamos influir nas eleições de nenhum outro país. Queremos apenas ter o direito de contar e ver acompanhada pelo público uma história que julgamos relevante para a consolidação da autoestima de nosso povo, para a consolidação de nossa democracia e para o progresso do cinema brasileiro como um todo.

LUIZ CARLOS BARRETO, é produtor cinematográfico. Produziu, entre outros filmes, “Lula, o Filho do Brasil”, “Dona Flor e seus Dois Maridos” e “O que É Isso, Companheiro?”.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Polícia Militar: O TCO que Virou Ameaça


O que era para ser apenas uma corriqueira nota na crônica policial, acabou se transformando em um potencial problema político e institucional.

Conforme relata o site Local Notícias, “na noite do último domingo, um empresário da cidade, que teve seu nome preservado, foi detido nas proximidades do Posto Alvorada III após desacatar o sargento da PM, Venilson Sampaio Santos.

Segundo informações obtidas na delegacia, tudo começou quando a polícia foi acionada sobre um acidente nas imediações da Associação Cangaia, local onde acontecia uma festa. Abordado pelo policial, que solicitou a documentação dos motoristas envolvidos no acidente, o empresário, visivelmente embriagado, “esfregou” o referido documento no rosto do militar. O empresário negou-se, ainda, a diminuir o volume do som automotivo que estava acima do permitido.

O empresário foi enquadrado no artigo 331, do Código Penal Brasileiro, que caracteriza por infração de menor poder ofensivo. Em seguida, o mesmo foi encaminhado à delegacia onde foi lavrado um Termo Circunstancial de Ocorrência (TCO) e logo após, liberado."

O empresário em questão é o empreiteiro Cledvaldo Veras, dono Ferrame Box e Sócio da Construtora Majovep. Cledvaldo que prosperou nos dois anos do governo Jackson Lago e continua prestando serviços ao Estado, teve forte participação política no último pleito municipal, apoiando o candidato Levi Pontes (PDT).

As Versões
Enquanto os policiais afirmam que a prisão do empresário ocorreu por desacato. Cledvaldo argumenta que foi vítima de abuso de poder e que pretende mover ação contra os policiais, mais precisamente contra o Sargento Sampaio. Além da acusação de abuso de poder, outra mais grave foi levantada: o suposto furto de um notebook e 5 mil reais de dentro do carro do empresário no momento da abordagem. Na cidade, há rumores de que se tentava responsabilizar os militares pelo fato.

Em entrevista aos repórteres Luis Carlos Jr. e Jota Coutinho (Mirante Am), Cledvaldo afirmou ser vítima de abuso, negou que estivesse embriagado e denegou ainda, ter sido algemado como foi noticiado. Concluindo, confirmou o furto, mas afastou a participação dos policiais, especulando que meliantes teriam se aproveitado do tumulto para garfar seus pertences.

A Gravidade Institucional
Quanto ao desacato, qualquer pessoa pode vir a perder o controle emocional e praticá-lo. É delito de pequeno potencial ofensivo. No que toca ao abuso de poder, ele entra na categoria dos erros ou desvios reprováveis, mas inerentes ao exercício profissional de quem tem autoridade. Vale ressaltar – ainda que não se possa dizer que seja este o caso – que assim como médicos, jornalistas e advogados, os policiais também são passíveis de erro. Neste ponto, tanto a conduta do empresário quanto a dos militares serão apuradas a partir do relato das testemunhas do episódio.

Entretanto a gravidade institucional repousa na acusação, que ganhou as ruas, de que policiais teriam cometido furto. Especula-se ainda que determinado grupo político tenta, em represália, obter a transferência do Sargento Sampaio.

No momento em que observamos o esforço da Polícia Militar do Maranhão na profissionalização, escolha e qualificação de seus membros, a credibilidade desta instituição centenária é tristemente posta a mercê de boatos e comentários depreciativos.

Além disso, não se admite mais que o papel constitucional da força pública e o livre trabalho de polícia preventiva sejam tolhidos por ameaças de transferência e outras pressões políticas.

Contra desacato ou abuso de poder só há o caminho do devido processo legal para estabelecer a verdade e punir os responsáveis dentro da lei. O contrário disso é querer o retrocesso do “encabrestamento” da segurança pública por facção política seja ela qual for.

Lobão Compara Lula x FHC

Do repórter Cirilo Júnior, da Folha Online, reproduzo, abaixo matéria de ontem. Depois volto comentando.

O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) defendeu nesta quarta-feira que se faça comparações entre as realizações os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso. Lobão disse que isso não é feito de má-fé, e sim para que o povo tenha a exata noção das razões pelas quais vem dando ao presidente Lula altos índices de aprovação.

Ele acrescentou que a exposição das obras feitas pelo atual governo servem para mostrar que Lula cumpriu "muito bem" seu papel.

"Há quem não goste que se faça comparações entre os últimos governos. Não fazemos de má-fé, e sim, para que se tenha noção das realizações do presidente Lula. O povo aprova o presidente Lula, e precisa ter nítidas as razões dessa aprovação", afirmou o ministro, em discurso na cerimônia de inauguração do gasoduto Cabiúnas-Reduc 3, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Lobão, senador pelo PMDB, criticou as privatizações feitas nos anos 90, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Lembrou do caso da Vale, cujo valor de mercado atual é muito superior ao da época em que a empresa foi privatizada. O ministro, que fez parte da base aliada do governo anterior, exaltou o fato de a Petrobras ainda ser uma empresa estatal.
"No período anterior, estatais foram privatizadas. Imaginem se a Petrobras tivesse sido? O que seria do nosso pré-sal?", disse.

Comento:

O ministro maranhense tá mais que certo quando fala que o momento é de comparação. Mas, devemos comparar esses dois importantes homens públicos brasileiros com relação à questão programática e de grupo partidário de ambos. Há uma diferença de cunho ideológico claro. Especialmente quanto ao trato das camadas menos favorecidas. Tanto que nos 8 anos do tucano 2 milhões pessoas tiveram evolução sócio-econômica contra 23 milhões de brasileiros que saíram da linha de pobreza nos 7 anos do petista. É por isso que a Ministra Dilma, preferida de Lula, cresce a cada dia.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Diploma


sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O Show de Confissões de Marcelo e Cia



Vou publicar (em itálico) o inteiro teor da tréplica do vereador Marcelo e comento abaixo de cada um dos parágrafos. Peço, antes, um favor aos leitores: que sejam compreensivos. Que usem de tolerância para com os incapazes, com as asneiras do autor seja ele quem for.

A vida é sempre recheada de contradições. Quando um individuo não domina determinada tarefa não custa nada pedir ajuda, seja ela voluntária ou paga, isto até ontem se chamava assessoria porem a partir de hoje na visão do bobo da corte, que antes era candidato a rei momo, passa a ser psicografia.”

Bingo! Como não existe método de alfabetização de adultos tão rápido, o parágrafo admite que a expressão textual do vereador depende de assessoria ou de ajuda dos universitários como no programa do Silvio Santos. O problema é que o escritor fantasma demonstra mais raiva de mim do que o chefe e expõe o vereador, porque me ataca no subsolo e oferece o telhado de vidro da vida pública do parlamentar e família ao meu dispor para o revide. Haja desproporção! Vamos adiante.

“É muito fácil afirmar que não roubou urnas, que não tem processo, que não é violento. Na verdade nunca teve oportunidade de fazer nada disso, pois quando se deseja conhecer um homem basta dar a ele poder.”

Show de confissão! Não precisava tanto! Difícil mesmo é negar roubo, processos e violência quando tudo é de conhecimento público. O poder já lhes foi dado (ou usurpado) e o que fizeram taí dito por vós. Sem mais comentários!
“O grande jornalista Alexandre Pinheiro que no seu perfil usa muito o verbo no passado dizendo foi, foi.... Hoje não é nada. Perdeu a dignidade, a decência, a barriga a independência e sabe lá Deus o que mais.”
Agradeço a distinção do grande. Quanto ao que eu fui e sou na vida profissional posso dizer que tenho um ofício, estou em vias de obter outra formação que por mais nobre não me dará direito de me achar melhor nem mais completo que ninguém. Por isso, para além do temporário mandato, pergunto - qual é mesmo a profissão do meu ilustre oponente?

Noto sistemática preocupação com minha aparência física. Hum!!! Sei não! Essa inquietação é, latu sensu, revelação psicológica.

“Ao assumir o SBT recusou-se a devolver o prédio no final do contrato, somente devolvendo quando percebeu que seria despejado pela justiça.”

Aqui abro parênteses para explicar que apenas forcei que uma lide comercial fosse deliberada pela via correta do judiciário. Qual o problema? Vamos adiante que o que segue tem a ver com o tema de vida em sociedade, urbanidade e boa educação.

“Não deve falar de quem agrediu um provocador que não se garantia na hora do pega pra capar.”

O ”agredir” acima é agredir mesmo. No exato significado de acometer, assaltar, atacar. Poderia ter usado “brigar” no sentido de lutar e combater braço a braço, mas a memória inconsciente da covardia não deixa. Neste ponto retomo o parágrafo anterior. Se tivesse procurado resolver a divergência pelo caminho da civilidade, teria buscado a justiça e processado o “provocador”. Mas... essa é uma vereda mais que estreita para pés trogloditas. Prossigamos.
“A sua grande magoa é ter perdido, com seu pai, uma eleição quando tinha a máquina administrativa na mão, porem não é chorando que se dar o troco.”

Há aqui uma inversão de lacrimejo. Quem é hoje o carpideiro da decisão que a corte máxima da nação proferiu contra seu pai por contas irregulares? Ademais, fosse aquela vitória tão limpa não seria necessário o roubo de urnas tão vivo na memória de todos e confessado acima. Isso sim é usurpação bandoleira da vontade do povo.

"Vá a luta deixe de ser subserviente e mercenário você pode conquistar o seu espaço. Na sombra do nota zero todas as lideranças do passado já desapareceram e você que ainda nem é liderança não tem a menor chance."

O final não poderia ser melhor pra definir as aparências e os ocultos do que pensam sobre mim. Não necessito tanto pra afirmar o valor e o espaço que tenho. Vocês mesmos reconhecem que posso ir mais além. Obrigado! Levantam, também, um debate interessante sobre as lideranças do passado. Mandaram bem, trato disso depois, incluindo o que penso sobre os estertores políticos do Sr. Isaías Fortes. Quanto ao mercenário, deixo como resposta, o tempo que mandavam e desmandavam como símbolo de todos os governos federal, estaduais e municipais infames que combati e o histórico de vossas firmas laranjas, fundações fraudulentas e suas relações de vassalagem até com o Magno Bacelar (as escondidas é claro!) quando tem algum numerário envolvido.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A Siber Sarjeta

Sei que algumas pessoas se irritam com o que escrevo. No entanto, não sabia que era tão odiado pelos PEBALAIOS (mais ainda que o Magno e a Danúbia, presumo) até ver que eles estão transformando a internet num ambiente insalubre e promíscuo escondidos pelo biombo abjeto do anonimato.

O DNA deste terrorismo eletrônico é manjado. Já os conheço desde os tempos dos famigerados “pasquins” - bastava eu criticá-los sobre seus desmandos públicos para que a difamação contra minha intimidade campeasse. A baixaria é a mesma e nunca me amedrontou. Medo, aliás, não me causavam nem quando tinham delegados calças-curtas, jagunços e eram acobertados por secretários de segurança.

Pelo contrário, reitero: tiro da frustração dos detratores ocultos a energia, a coragem e o prazer para continuar a dizer o que penso e assinar em baixo.

Em tempo: esta ainda não é a resposta ao vereador Marcelo, esse merece um combate digno, pois certo ou errado assume o que faz e assina o que gostaria de saber escrever. Até mais tarde!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A Primeira Ameaça

Na segunda-feira, 25, às 23:40h, recebo em meu blog – veja na matéria da Carta de Seguro da Oposição, abaixo - o seguinte comentário de um certo Marcelo Menezes: “os comentarios que vc posta no seu blog, é melhor vc deixar de colocar o nome do meu pai porque nao vai da certo.so um aviso” (sic). Logo em seguida, pedi no mesmo espaço que o vereador Marcelo confirmasse ou negasse a autoria. Como até agora nada falou a respeito e, pelo histórico que tem o parlamentar tucano, decidi denunciar o fato às autoridades, já que nem minha rotina, itinerários e conteúdo do blog pretendo mudar.