Por Mariana Pinhoni
(Folhapress) – O senador e
pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) criticou “provocações e
cobranças” entre aliados após novo episódio de troca de ofensas entre um de
seus irmãos e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) nas redes sociais.
“Fica aqui meu pedido sincero: não
precisa ‘pressionar’ ninguém ou me ‘defender’ de pessoas que também querem
Bolsonaro na Presidência da República. Já disse algumas vezes e repito, cada um
tem o seu tempo e a sua forma de ajudar”, escreveu Flávio em publicação na
noite desta sexta-feira (24).
Mais cedo, Nikolas havia afirmado
que, se a capacidade cognitiva do vereador Jair Renan Bolsonaro (PL) e a de
outro influenciador de direita que o critica fossem somadas, ainda assim não
alcançariam a de uma “toupeira cega”.
A nova briga começou quando o perfil
de Junior Japa ironizou o deputado por trocar a camiseta preta que ficou famosa
em seus vídeos de denúncias contra o governo Lula (PT) por uma branca para
fazer a divulgação de obras para ligadas ao governador de Minas Gerais Mateus
Simões (PSD), que faz campanha para o ex-governador Romeu Zema (Novo) para a
Presidência.
“Se trocou a camiseta preta pela
branca é pq sentiu [a crítica]”, escreveu o influenciador.
Nikolas respondeu dizendo que iria “mandar emenda também pra internar vocês num
hospício” e foi rebatido por Jair Renan, que usou um antigo meme da internet
com o narrador Galvão Bueno para ironizar o deputado federal por ter sentido a
crítica.
Depois da postagem do pré-candidato à
Presidência, o deputado mineiro respondeu ao apelo e afirmou que sofre
provocações “há três anos” e permanecia calado. “Mas como todo ser humano,
tenho um limite. E com o passar do tempo, vários aliados de longa data, leais e
íntegros tem sido alvo da mesma turma que nada agregam, a não ser gerar divisão
e até mesmo fiscalização/perseguição a quem não posta uma porcentagem que eles
desejam.”
Nikolas também citou correligionários
na Câmara, afirmando que eles têm se tornado “alvo diário” de perseguição,
“minando a própria base que o seu pai criou”.
“Isso tem gerado um clima que ninguém
mais suporta. Poucos tem coragem de enfrentar, e quando enfrentam, recebem o
rótulo de ‘traidores'”, disse.
No início do mês, o ex-deputado
federal Eduardo Bolsonaro disse que “os holofotes e a fama” fizeram mal ao
parlamentar mineiro.
“Você continua colocando Flavio numa
espiral do silêncio, com menos de meia dúzia de apoios públicos, apenas para
fingir não ter abandonado o grupo político que te projetou”, escreveu na
ocasião.
Em fevereiro, Nikolas já havia
afirmado, após visita a Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, que Eduardo “não está
bem”, em resposta às críticas feitas contra ele e a ex-primeira-dama Michelle
Bolsonaro por, na visão de Eduardo, não terem se engajado o suficiente na
campanha de Flávio.
Como a Folha mostrou, Nikolas citou
Flávio em 10 dos 544 posts que fez no X entre 5 de dezembro, quando o senador
foi lançado candidato à Presidência, e 9 de abril, período em que virou alvo de
ataques pela falta de engajamento com a campanha. Nikolas e aliados defendem
que o papel dele é outro, de desgastar o presidente Lula (PT) e aumentar a
mobilização em torno das pautas conservadoras.
O racha interno do PL, com cobranças
públicas e trocas de farpas nas redes sociais, é mais um capítulo na disputa
por influência e protagonismo na direita bolsonarista após o ex-presidente
Bolsonaro ter sido preso e declarado inelegível.

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