quinta-feira, 9 de abril de 2026

Master Financiou Grupo Metrópoles e Michel Temer


 

Relatórios recentes da Receita Federal e do Banco Central revelaram uma complexa rede de pagamentos realizados pelo Banco Master, sob a gestão do banqueiro Daniel Vorcaro, a figuras políticas de alto escalão e veículos de imprensa. Entre os principais beneficiários identificados estão o ex-presidente Michel Temer e o portal de notícias Metrópoles. As autoridades investigam se esses repasses, realizados sob a justificativa de contratos de consultoria e serviços jurídicos, serviram como contrapartida para a defesa de interesses do grupo financeiro junto a órgãos do governo e do Judiciário em Brasília.

No caso do portal Metrópoles, documentos do Coaf indicam que o Banco Master transferiu aproximadamente R$ 27,2 milhões à empresa Metrópoles Marketing e Propaganda LTDA entre 2024 e 2025. O montante foi quase integralmente repassado em um período considerado crucial para a instituição financeira, que enfrentava desafios regulatórios. Além do portal, as investigações apontam que parte desse dinheiro teria chegado a empresas ligadas à família do ex-senador Luiz Estevão, reforçando as suspeitas sobre a finalidade real dessas movimentações financeiras.

Em relação a Michel Temer, os documentos apontam que o escritório de advocacia do ex-presidente teria recebido R$ 10 milhões do Banco Master em 2025. Embora os registros do banco indiquem esse valor, a defesa de Temer contesta o montante, afirmando que o pagamento foi de R$ 7,5 milhões referentes a uma atividade de mediação jurídica. Outros nomes de relevância política, como o ex-secretário Fabio Wajngarten e o ex-ministro Guido Mantega, também aparecem nos relatórios como destinatários de repasses vultosos para serviços de consultoria e defesa estratégica.

As investigações do Banco Central também miram possíveis irregularidades internas, como a conduta de um ex-diretor de fiscalização da autarquia, Paulo Sérgio Neves de Souza. Ele é suspeito de simular a venda de uma propriedade para o cunhado de Vorcaro como forma de ocultar vantagens indevidas. O caso Master é descrito como um dos maiores escândalos financeiros recentes do país, envolvendo acusações de inflar balanços artificialmente, uso de empresas de fachada e uma tentativa sistemática de influenciar instituições públicas para garantir a sobrevivência do banco no mercado.

Brasil de Fato e ICL

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