No principal informe publicado sobre
a saúde da democracia no
mundo, Brasil e EUA vão em sentidos contrários no fortalecimento do estado de
direito. Se o país lidera no processo de democratização, os americanos perdem,
pela primeira vez em 50 anos, seu status de democracia liberal.
Segundo o relatório sobre Democracia
do Instituto V-Dem,
da Universidade de Gotemburgo, o retrocesso está acontecendo agora em
democracias consolidadas e a democracia nos EUA está se deteriorando a uma
“velocidade sem precedentes”.
Mas, no caso do Brasil, o país segue
numa tendência oposta e, hoje, está classificado como mais democrático que os
EUA.
Em sua edição de 2026, o ranking
apresenta o Brasil na 28ª posição no mundo. Já os EUA caíram da 20ª posição
para o 51º lugar. O país que sempre exportou a democracia ainda deixou de ser
classificado como uma democracia liberal e é apenas uma democracia eleitoral,
hoje.
De acordo com o informe, quase um
quarto das nações do mundo está passando por um retrocesso democrático, ou
autocratização, em 2025, e seis dos dez novos países em processo de
autocratização identificados no Relatório sobre Democracia de 2026 estão na Europa
e na América do Norte.
Entre eles estão países grandes e
influentes como Itália, Reino Unido e EUA. “O fato de muitos países populosos e
economicamente poderosos estarem se autocratizando é especialmente preocupante.
Vários desses países têm o peso econômico e político para remodelar
organizações internacionais, normas e comércio, efetivamente remodelando a
ordem global. Acho que já estamos vendo o efeito disso”, diz Staffan Lindberg,
líder do estudo.
Uma das constatações é de que a
democracia dos EUA está atualmente em um processo de deterioração muito mais
rápido do que qualquer outra democracia nos tempos modernos.
“Em apenas um ano, a pontuação dos
EUA no índice V-Dem de Democracia Liberal caiu 24%, enquanto sua classificação
mundial caiu do 20º para o 51º lugar entre 179 nações”, disse.
Os aspectos liberais da democracia
mostram o maior declínio nos EUA. O segundo mandato do presidente Donald Trump
pode ser resumido como uma rápida concentração de poderes na presidência, de
acordo com o relatório.
“O atual governo dos EUA tem minado
os mecanismos institucionais de controle e equilíbrio, politizado o
funcionalismo público e os órgãos de fiscalização, e intimidado o judiciário,
além de atacar a imprensa, a academia, as liberdades civis e as vozes dissidentes”,
afirmou Lindberg.
“As eleições de meio de mandato
americanas de 2026 serão um teste crucial para a qualidade das eleições e da
democracia nos Estados Unidos. Se os indicadores eleitorais também piorarem, os
EUA irão piorar ainda mais”, diz Lindberg.
ICL NOTÍCIAS

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