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domingo, 16 de outubro de 2016

Crônica: Comício em Favor dos Iludidos


“Vês! Ninguém assistiu ao formidável enterro de tua última quimera”... “O mundo é um moinho, vai triturar teus sonhos tão mesquinhos, vai reduzir as ilusões a pó”...

De Augusto dos Anjos a Cartola, não consigo ouvir ou ler palavras como ilusão, sonho, fantasia, utopia ou quimera sem aguçar meus extintos mais humanos ou poéticos.

Quem tenta rebaixar as ilusões a meros enganos dos sentidos ou da mente nunca soube quanta nobreza há em ansiar por algo feito para não acontecer. São os mistérios de suportar a expectativa do que não vai vir que dão sentido à vida e leveza ao passar do tempo da eterna esperança.  

Superlativamente difuso, o direito à ilusão deveria figurar como norma pétrea de todas as constituições sentimentais e de todas as declarações universais de amor e compaixão.

Repudio a valoração gradual das ilusões. Cada homem ou mulher deve ter o direito de sonhar com a permanência do seu time na serie b ou com reversão de dolorosa pisa eleitoral com o mesmo orgulho de quem deseja a paz no Oriente Médio e o fim da fome no mundo.

Comovido pelas atuais miragens políticas de minha cidade, pelas alucinações jurídicas destes dias e pela sofrência de algum vizinho, convoco a todos para um comício em favor dos iludidos em geral.  

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