quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Você é Quem Manda, Mas Não Leve Flores

O jornalista Eduardo Braga, petista chapadinhense que morou em Brasília, mas está de volta ao Maranhão, é a única voz da oposição a criticar Magno e Danúbia – como seria natural – e, ao mesmo tempo, lembrar as mazelas do período em que o manda-chuva era o ex-prefeito Isaías. Escreveu Eduardo em texto recente: “Lembro-me especificamente bem da eleição de 2000. A prefeitura vivia um estado de caos sob o comando de Isaías Fortes, que tentava a reeleição. Político de forte apelo populista, Isaías não suportou o descontentamento do funcionalismo municipal, que ficava meses a fio sem receber salário. Então deputado estadual, Magno aproveitou-se da situação, disputou e derrotou Isaías travestido em símbolo de ética e de competência administrativa.”

Por estas e outras, Braga tem, em que pese divergências pontuais, conquistado o respeito num debate extremamente importante para o futuro de Chapadinha.

O último texto de Eduardo Braga (clique aqui)– que reproduzo (em vermelho), intercalando nossas opiniões (em letras pretas)– merece algumas reflexões. Vamos a elas.

Debandada Geral

Ao se encerrar este mês de dezembro, a prefeita de Chapadinha, Danúbia Carneiro, alcançará a metade do tempo previsto para a sua administração sem ainda demonstrar nenhum grande sucesso no cargo.

Líder de um governo cuja definição mais complacente é medíocre, Danúbia apostava que as coisas mudariam de rumo com a eleição certa de seu aliado político, Magno Bacelar, a uma cadeira na Assembléia Legislativa do Estado.

Para espanto de ambos, as urnas não reservaram a Magno posto melhor do que uma segunda suplência sem vistas de assumir o cargo*.

Este cenário só me faz crer que a segunda metade do governo Danúbia será de qualidade tão pueril quanto a primeira. E aqui não estou falando de jóias, calotes ou qualquer outra questão menor. Trato aqui de serviços públicos, de cuidado com a cidade e com os cidadãos.

Não generalizo a incompetência entre os membros do governo. Creio até que há cinco ou seis peças ali presentes que mantêm o mínimo de condição intelectual da administração. O problema de Danúbia é que, avistando ao longe o triste fim deste governo, seus aliados, incluídas as peças chaves, devem deixar o barco e procurar melhor abrigo para as disputas futuras.

Flores ao Inimigo

Eu mesmo já disse aqui que o grupo de Magno não passa por seus melhores dias e que algo precisa ser feito política e administrativamente para reverter o quadro. Mas, governo é governo e na política é justamente na metade que falta do mandato que se vira o jogo e se reúne condições para vencer o pleito. É só acompanhar as enquetes dos diversos blogs onde vemos Magno à frente dos demais pré-candidatos. Ora, se o grupo, em face de toda dificuldade do momento, tem, no ex-prefeito Magno, a liderança das intenções de votos, calcule se começar a melhorar o governo. Ai, fica valendo para a oposição o alerta de uma letra do Belchior: “não cante vitória muito cedo, não, e nem leve flores para a cova do inimigo”.

*Magno deve ficar de fora

A governadora convidou apenas um deputado estadual do chapão, Max Barros (DEM), para voltar a fazer parte do governo, dando assim espaço para o primeiro suplente, Tatá Milhomem (DEM) assumir o posto. Magno seria o próximo agraciado com a convocação de pelo menos mais um deputado para o secretariado, mas Roseana não demonstra disposição em fazê-lo, pelo contrário. Ricardo Murad (PMDB), que poderia voltar para a Saúde, deve ser o novo presidente da Assembléia e Raimundo Cutrim (DEM), que poderia voltar para a Segurança, deve apoiar a manutenção de Aluísio Mendes no posto.

Além disso, suplentes com votações inferiores à do "nota 10" já foram convidados para postos de destaque na administração estadual. A última saída seria o comando da Gerência Regional do Baixo Parnaíba, mas a luta fratricida entre os grupos políticos de Chapadinha deve fazer com que a governadora chame alguém de outro município para comandar a unidade do Baixo Parnaíba.

Hoje Você é Quem Manda Falou Tá Falado

O desenho é esse mesmo pintado por Braga. O destino de Magno, como todo suplente governista, depende exclusivamente da governadora. Só não dá pra assistir a isso sem pensar no sarcasmo da política. Roseana quando ficou fora do poder tinha poucos aliados na Região e Magno era um deles, voltou ao poder por ação da justiça eleitoral e elegeu-se por pequeníssima margem. Hoje a roda viva do mando absoluto se volta contra um aliado fiel. Tudo faz parte desse vaivém que é a política e que também contempla, para o futuro, a ironia das voltas que o mundo dá.

3 comentários:

Jose disse...

Alex,

Com todo respeito a suas opniões e ao texto do Sr. Braga, quero lembra-lo que jamais defendir as desastradas gestões do Sr. Izaias, pelo contrario sempre que me é oportuno faço comentarios a respeito(na intenção de alertar quem não lembra ou não teve o descontentamento de conhecê-las(embora não publique minhas opniões jamais as escondi)
Grande Abraço
Ze Baleco

Alexandre Pinheiro disse...

É verdade, sou testemunha disso. Você sempre que pode faz esse alerta. E que por certo tem muito mais gente na sociedade que concorda com você. Abraço!su

adriana disse...

Minha modesta manifestação.
Considero o senhor Zé Baleco como um dos nomes mais respeitáveis do cenário político de Chapadinha. Homem de opiniões demarcadas historicamente e de postura pública discreta, mas firme.
Receba a minha admiração e opinião de que o senhor é um exemplo a ser seguido por muitos políticos de nossa cidade.